Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Chá com as amigas

notas soltas ao virar da esquina

Chá com as amigas

notas soltas ao virar da esquina

Sab | 05.08.17

Minimalismo vs conforto

min-home.jpg

 

 

Bom dia! 

 

Há muitos anos que sou minimalista, sem sequer saber que existia uma palavra para definir aquilo que sou. 

Comecei por acabar com bibelots e outras coisas bonitas mas inúteis espalhadas pelas superfícies planas do meu quarto. Só compro roupa que seja possível usar com alguma coisa que já tenho, nunca me lembro de passar horas preocupada a olhar para o armário sem saber o que vestir, gosto de tudo o que tenho. E só visto o que gosto. Dei mais de uma centena de livros, de uma assentada, à biblioteca da Junta de Freguesia; tenho loiça, talheres e mesa para 6 pessoas. Somos uma família de 2.

Tenho apenas uma mesa-de-cabeceira, não preciso de mais. Sobre o aparador da casa-de-jantar, tenho duas molduras e um candeeiro. Duas pedras pintadas pelo T. Numa casa/estufa do Ikea, duas pequenas plantas. Dos sofás às almofadas, passando pelas camas, roupa de cama e candeeiros, da árvore-para-gatos às camas dos ditos, dos pratos às taças e talheres, gosto de cada objecto que está dentro da minha casa. Até dos baldes do lixo e reciclagem. Não tenho máquina de lavar-loiça, nem nenhum robot de cozinha. Não tenho televisão, nunca tive. E é esta a razão para este post.

Os meus senhorios vieram cá a casa, como sabem tive imensos problemas aquando da mudança, e além do necessário, só falaram do facto de eu não ter televisão. Perguntaram se queria uma. Respondi "não, obrigada". 

Mais tarde, foi-me dito que a casa (onde eles já viveram) está muito agradável, posta com gosto mas que lhes pareceu algo espartana. Confesso que não percebi e respondi uma coisa qualquer. Mas fiquei a pensar no assunto e, comecei a olhar para a casa de outras pessoas, para as coisas nas casas das outras pessoas, para tentar perceber. 

Não posso usar a minha mãe como referência, acredito que está, numa fase inicial é claro, mas com um problema de acumulação. Uma das minhas irmãs, casada e com 2 filhos, com uma casa girissima, tem de tudo aos montes. A mais nova parece-me, apesar de ter casa há pouco tempo, que segue pelo mesmo caminho. E a minha vizinha da frente, em cuja sala entrei pela primeira e única vez esta semana para devolver uma roupa caída do estendal, tem bem...tem tudo aquilo que é necessário para se sentir confortável, imagino. 

Minimalismo, como poderão ler em blogs sobre o assunto, não é sinónimo de castigo, muito pelo contrário. Não é complicado, não é espartano, não é obrigatório. E, acima de tudo, é diferente para cada um de nós, porque nós somos todos diferentes. E se para a P. o conforto passa por uma televisão em frente ao sofá, para mim, passa por um sofá com um tecido agradável, do tamanho certo para me estender a ler. Não uso agendas que não sejam Moleskine mas compro o papel de impressão mais barato possível. Reutilizo tudo o que posso, dou, reciclo. Peço emprestadas (e devolvo) coisas como máquina de pão, esticadora de massa fresca, berbequim e outras ferramentas. Leio livros da biblioteca, mas compro os de culinária...e apesar de fazer uma ementa semanal tenho uma dispensa tão cheia que dava para alimentar uma família até ao dia do juízo final. Tirando isso, a minha casa, onde vivemos com 4 gatos e 1 cão, está sempre limpa e arrumada, temos uma rotina de limpeza diária de 30 minutos e de 1 hora (cada) ao sábado. 

É uma casa clean, para onde é bom voltar, em que o que está à vista e o que está dentro de armários está arrumado, organizado. Uma casa onde nos sentimos em casa e temos tempo para nos sentirmos em casa.

 

Claramente uma casa minimalista. E nem imaginam o reconfortante que é voltar para uma casa de que podemos simplesmente desfrutar... 

 

1 comentário

Comentar post