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Chá com as amigas

notas soltas ao virar da esquina

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Sab | 04.02.17

Como escolher onde viver

Há cerca de 3 anos mudei radicalmente de vida. Saí da cidade e assentei arraiais numa pequena vila do litoral. 

Assentei ou pensei assentar. Por razões várias, que vão do valor de renda que podia pagar ao estado das casas para onde mudámos passando por alguma atitude menos correcta de algum senhorio, estou neste momento na quinta casa. 

Esta quinta casa foi a que apareceu quando nos fazia falta. Não corresponde às nossas reais necessidades nem tem condições, sobretudo no Inverno, que nos proporcionem um dia-a-dia confortável. 

Neste momento, felizmente, a minha situação profissional é estável, tenho um ordenado decente, algumas regalias por trabalhar para uma empresa internacional e com isto, uma capacidade diferente em termos financeiros do que tinha há cerca de meio ano. E não consigo encontrar uma casa para arrendar!

Cerca de 40% das casas estão vazias, fechadas ao longo do ano, os restante 30% são alojamento local e, nos outros 20% reside a população local. Nos restantes 10% está tudo o resto: os arrendamentos anuais, os arrendamentos em que é preciso sair da casa de Junho a Setembro e também um já considerável número de casas afetas ao alojamento de trabalhadores imigrantes, multiplicando-se os T2 em que vivem, a tempo inteiro, 10 pessoas. É evidente que uma renda de €2000 não é o mesmo que uma de €500. Também o é que o desgaste provocado a um apartamente por 10 pessoas não é o mesmo que o de 2 pessoas e um par de gatos. 

Posto tudo isto, preciso decidir onde viver.

Em face das dificuldades em arranajr casa aqui, comecei a considerar alternativas. Aldeias vizinhas, quer no litoral quer no interior, a pequena cidade mais próxima, a sede de Concelho. 

Em nenhum lado encontrei uma casa disponível facilmente e em nenhum lugar uma casa pela qual me "apaixonasse". 

Resta-me decidir com base em critérios mais terra-a-terra, como a facilidade no dia-a-dia: escolas, compras, atividades, oferta cultural, valor da renda, autonomia para o adolescente da casa, segurança para os gatos e o cão, possibilidade de mobilar a gosto, etc...

E não estou a conseguir. Vou ouvindo umas "dicas" involuntariamente: é alguém que, numa série qualquer diz: "tu sabes o que tens que fazer, mas não queres", é o FB que me propõe artigo sobre "como trazer mais luz a uma divisão escura" e, lá me decidi a fazer a pesquisa fatídica: "Como decidir onde viver". 

 

Dos vários artigos que li, retenho este, da Penelope Trunk: "How to decide where to live?" é curto, claro e espero que me ajude a encontrar a perspectiva certa para esta tomada de decisão. 

Da introdução sobressaem ideias como " não deixe a inercia levá-lo", "as grandes cidades vestem-se para atrair pessoas profissionalmente capacitadas" e, "o local onde vai viver e os seus filhos vão estudar terá, à partida, um cariz mais permanente que o seu emprego". Então, onde escolheria viver se tudo fosse possível?

1. Perceber o que é ralmente importante: o lugar é tão importante como ter um emprego que nos desafie mas não tão importante como a relação com a família e os amigos. 

2. Flexibilidade na carreira: provavelmente não terá o mesmo emprego ao longo da vida. Se já viver num lugar que satisfaça os seus interesses de "não-trabalhador" é mais provável que mude de carreira sem ter que mudar de casa. Um elevado custo de vida compromete a sua facilidade em mudar de carreira. 

3. Viva num sítio em que o seu rendimento seja pelo menos igual ao rendimento médio: se viver rodeado de gente que tem mais dinheiro do que você, vai achar que não tem o suficiente. O que interessa é o rendimento relativo. 

4. Considere que ter mais por onde escolher nem sempre é o mais desejável: não precisa de escolher entre 20 restaurantes ou 20 escolas. Ter muito por onde escolher deixa-nos nervosos e pode levar-nos a lamentar a decisão tomada ou estar sempre a pensar " e se..."

5. Não se desloque para longe do seu marido ou companheiro: parece que mais importante ainda que o dinheiro é o sexo e este tem que ser com um parceiro único e consistente para trazer grandes benefícios. ;)

6. Mantenha curto o tempo de deslocação para o trabalho: pode pensar que viver nos arredores será melhor para os seus filhos mas também pode passar o seu suposto tempo de qualidade com eles dentro do carro...

7. Procure populações diversificadas para uma vida enriquecedora: as grandes cidades estão a tornar-se cada vez mais homogéneas, à medida que o custo de vida vai empurrando os menos abastados para fora dos seus limites. 

8. Tome a decisão de melhorar o mundo: A solução não é competir com Lisboa e Porto e sim trazer mais-valias a cidades médias/pequenas: pode-se encontrar um sentido de comunidade, ajudando a promover a diversidade e criatividade nestas cidades. Pode ajudar a construir o novo modelo de cidade, onde haja espaço para pessoas com ideias e rendimentos diversos. A decisão é parecida com a de usar um carro hibrido: não podemos consertar o mundo, mas podemos viver de acordo com os nossos valores e a intenção de marcar a diferença. 

 

 

Esta transposição, ainda que próxima do artigo, reflete o que sou e procuro, pelo que talvez seja boa ideia lerem o post. 

 

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